Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de junho de 2009

Tema Antigo - Murilo Mendes

(Imagem: Giovanni Boldini)

Vestindo as nuvens órfãs,

Esticando a pedra eterna,
Dando às fontes de beber,
Eu consagrei o universo.

Alimentei até os sonhos,
Dialoguei com a esfinge móvel,
Fiz florescer o deserto.
Quando vi, não era nada,
Me apalpei, formas se riam
Fugindo ao meu esqueleto.

Foi então que vi o amor
Colado aos braços da morte
Montar no cavalo azul:
A solidão sem ornatos
Me apresentou a mim mesmo.



quarta-feira, 29 de abril de 2009

Metade Pássaro - Murilo Mendes

Max Ernst

A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas aos rios,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.


In: Melhores Poemas. São Paulo, Global, 2000. p. 43.