quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nunes Claro - Soneto

(Imagem: Giovanni Boldini)

Colaborou comigo a Primavera,

Em tudo quanto há tempos te escrevia,
E são da rosa, do lilás, da hera,
Muitos dos versos que te dei um dia.

No meio de uma rima mais severa,
Mais intensa, ou mais cheia de harmonia,
Eu, quantas vezes, me fiquei à espera,
A ver como é que o Sol a acabaria?

As imagens mais altas e formosas
São dele, e são dos lírios mais das rosas,
Da luz da hora toda, em que te vi;

De modo que este amor lindo e distante
Foi o Sol, que te amou por um instante,
O mês de Maio que gostou de ti.


2 comentários:

BAR DO BARDO disse...

I love sonnets.

Gostei!

wallace disse...

bom... visitar blogs sempre é bem instrutivo. Fui pesquisar quem foi Joaquim Nunes Claro e conheci mais um pouco da literatura portuguesa. ele tem vários sonetos, belos sonetos. E eu, que me julgo poeta, nunca consegui escrever um que fosse... rs... bjs!