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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Soneto - Angelo de Lima



Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento...

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora.
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da Dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

(imagem by me)



Soneto

Nunes Claro.

Vieste tarde, meu amor. Começa

Em mim caindo a neve devagar...

Morre o sol; o outono vem depressa,

E o inverno, finalmente, há-de chegar.



E se hoje andamos juntos, na promessa

De caminharmos toda a vida a par,

Daqui a pouco o teu amor tem pressa

E o meu, daqui a pouco, há-de cansar.



Dentro em breve, por trás das velhas portas,

Dando um ao outro só palavras mortas

Que rolam mudas sôbre as nossas vidas,



Ouviremos, nas noites desoladas,

Tu, a canção das vozes desejadas,

Eu, o chorar das vozes esquecidas.